Lírica

Todo escritor tem seu baú, seu arquivo morto ou o que o valha: um sortimento de textos que, por razões várias, nunca publicou.

Com muita frequência, trata-se de escritos que ele rejeitou por considerá-los carentes de qualidade, como produções juvenis ou frutos de uma entressafra.

É comum uma triagem visando uma publicação ser feita post mortem, ora por editores zelosos do conjunto da obra do artista, ora por familiares com motivações menos nobres – e vêm ao mundo as surpreendentemente divertidas Confissões do impostor Felix Krull, de Thomas Mann, ou a Claraboia bastante questionável de um José Saramago que ainda não havia definido seu estilo único.

Outras vezes, trata-se de textos nos quais o autor experimentou gêneros nos quais acabaria não se estabelecendo, ou que não considerava sequer como parte de sua criação literária.

Este é o caso de Lírica. Para esta coletânea nunca planejada, Paul selecionou um punhado de poemas escritos despretensiosamente em vários períodos de sua vida e compilou dezenas de letras de música, portanto textos sobreviventes de uma época em que suas ambições artísticas se voltavam para outra direção.

Lírica é um ganho para os leitores, que encontram aqui traços típicos de Paul, mas também ângulos antes desconhecidos de sua criatividade.

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